Círculo de Mulheres

Em Busca do Sagrado Feminino é uma proposta para que a Mulher Contemporânea compreenda o seu próprio Espaço Sagrado, e saiba reverenciar a sua própria Beleza e Autenticidade. Que todas as Mulheres possam aprender a Buscar nos Ciclos da Vida o respeito por cada fase e cada face do Feminino. Reconhecer a Mulher Sábia é buscar a verdade em si mesma!

 

A Mulher dos 40

“A mulher Madura”

´Quando entramos nos 40 anos pode ser assustador no início, mas de repente, a mente toma consciência de que a maturidade da mulher lhe proporcionará uma nova ótica e perspectiva, ganhando, portanto, segurança e mais liberdade. Valores são repensados, a força instintiva é canalizada, e a beleza da Loba desperta exala dos poros, como umnovo perfume de mulher madura.

Nesta nova fase, enfrentamos os medos e preconceitos vinculados à velhice e a menopausa. Fazendo as pazes com o lado saudável, é que conseguiremos atravessar esta fase com sabedoria, disponibilizando tempo para o cuidado do corpo, da mente e do espírito.

A maturidade é um momento de reformular propósitos, mudar atitudes e pensar projetos novos. Precisamos nos desapegar de expectativas sociais, solicitações familiares, e papéis desempenhados, e abandonar as máscaras que nos aprisionam em tarefas que já não nos interessam. Somos capazes de abandonar o medo e todas as apreensões quanto ao futuro, tais como:

a preocupação comum sobre o que os outros vão achar de mim se eu deixar de ser boazinha;  ou mesmo abandonar o fantasma de uma velhice solitária, que nos impede de obter novas oportunidades, e de viver outros desafios.

Ter medo da velhice é algo que perturba a mente, a confiança e a auto-estima de muitas mulheres. Principalmente quando a auto-estima está vinculada à beleza e ao amor. Recebemos informações deturpadas e negativas do arquétipo de Afrodite, a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade, através dos vários meios de comunicação, e a mulher contemporânea é mobilizada a buscar a beleza atrelada a um único modelo estético. Ela se sente obrigada a se encaixar neste molde, desde a sua fase de menina. Após a primeira menarca, a Donzela é educada a crescer e a se desenvolver para atrair e seduzir os homens, não de forma espontânea e genuína, mas criando meios artificiais:  o excesso de maquiagem, pinturas nas unhas e cabelos, roupas e acessórios atraentes.  Ela é ensinada a ser uma “bonequinha”, a vestir-se bem e estar sempre bonitinha nos eventos sociais. Este padrão comportamental é quase único, e na verdade o potencial criativo é reprimido. Muitas vezes a moda também impõe cores, texturas, e formas para satisfazer a imaginação do homem. Imaginemos uma donzela rebelde, que gosta de soltar os cabelos e mostrar as unhas da Mulher Selvagem? (termo usado por Clarissa Pinkola Èstes, em Mulheres que Correm com os Lobos). Esta donzela rebelde não é bem-vista e aceita, e muitas vezes sofre preconceito, muitas vezes taxada de puta ou bruxa. O que quero apontar é que o desabrochar da menina e da donzela estão por muito tempo vulneráveis a esta ditadura da beleza artificial, o que na minha compreensão, se torna uma escravidão. Não quero dizer que não seja importante o autocuidado, a satisfação com a autoimagem, mas que deveríamos ter mais liberdade de expressão! Como seria se desde a infância todas as mulheres buscassem a beleza também interior, e que a expressão externa fosse extensão do seu ser? Talvez seríamos mais seguras com o que somos e não com o que temos, e a relação com o corpo seria realmente sagrada.

Sem esta consciência, chegamos cambaleantes aos quarenta anos, tentando driblar as rugas de expressão, os cabelos brancos, as marcas do tempo em nossos corpos, os hormônios se modificando. Percebemos que a mulher madura chega a uma grande crise de identidade, pois ela parece ter que se libertar desta “Ditadura da Beleza” para realmente ser plena e feliz. A maturidade traz certezas de muitas possibilidades, mas também traz à tona a dor de escolhas erradas. A maturidade nos coloca frente a frente com o que não se encaixa mais, com as roupas “sujas”, inadequadas. E neste momento, nesta fase, temos o poder de lavar os julgamentos, as falsas impressões, as distorções sob a nossa autoimagem.

Ouvimos muitos preconceitos e lamentações da mulher madura que está submissa à ditadura da Beleza: a unha está quebrada, meu dente está amarelo, meu cabelo estáseco e branco, minha pela tem manchas e rugas… e aí não para mais… E esta insatisfação e repúdio com o corpo e aspectos da velhice, é o que temos que superar e deixar para trás, como uma roupa que não nos serve mais!

A maturidade é um marco e grito de liberdade! Precisamos olhar o feminino pleno e não machucado. A mulher que deixa de ser objeto passa a ser adorada e admirada, percebe e assume a sua própria beleza e passa a ter amor-próprio!

Encontrar os traços de beleza na mulher madura é uma das pérolas mais lindas no ciclo da vida: se orgulhar da maturidade, da sabedoria, da confiança, da amorosidade, da experiência na sexualidade, perder a vergonha de buscar o prazer, encontrar o orgasmo pleno, retomar o brilho pessoal e genuíno. Esta é a maior pérola – sermos nós mesmas!

É verdade que existe o fantasma de uma velhice solitária, nos moldes patriarcais e machistas, que ainda perpetuam eternamente a Afrodite na face feminina. Não nos enganemos, as faces do feminino estão além do brilho de Afrodite! Que sejamos capazes de não nos iludirmos com o medo de que não seremos mais boas e belas para nenhum homem; devemos estar livres destas amarras! Que sejamos capazes de não nos corrompermos mais com os valores patriarcais. Não somos objetos! Mas sim, podemos ser as protagonistas das nossas próprias vidas e escolhas!

Que vergonha tenho de também sentir este medo!  Mas devemos aceitar que ele existe e que foi perpetuado por muitas gerações; carregamos da nossa ancestralidade a grande sombra coletiva: o medo do abandono. Aceitar a maturidade é saber que seremos capazes de nos cuidarmos sozinhas, capazes de sermos fortes e independentes, e que se confiarmos em nós mesmas, teremos amor e tudo que desejarmos! Podemos ter tudo ao sermos seguras de quem somos!

Como fazer isso? Comece a aceitar a mulher dos 40! Esta mulher que não é mais manipulável, esta mulher que já sabe dizer não, esta mulher que não é mais vulnerável e que tem seus próprios princípios. Não minta mais para você mesma, seja honesta com os seus desejos, e aceite que a maturidade é o começo da libertação! Em termos de inconsciente coletivo, a mulher madura mata todas as sombras coletivas! A mulher madura consegue realmente ser a sua própria protagonista, assim como nos lendários contos de fadas e mitos; devemos continuar a lutar e a viver mesmo que a bruxa malvada venha atrás de nós para nos ameaçar. A mulher madura sabe dizer não à maçã envenenada!

“Viver as mudanças ajuda a reconhecer que somos seres com desejos. Trata-se de um grande desafio, porque as mulheres transitam pela vida a serviço das necessidades dos demais, e assim, tomam como seus os sonhos que não lhes pertencem. Têm dificuldade em saber o que querem realmente”. (Marisa Sanabria)

Confio na maturidade dos 40, no Portal de Consciência que se abre, nos desejos que nos sacodem e nos movem a ações mais prazerosas e autênticas. Acredito que mesmo com todos os medos eles nos servirão para ganharmos força e motivação, e assim conseguirmos aceitar de fato o processo de envelhecimento, de forma saudável e leve.

A mulher madura que se liberta da ditadura do olhar masculino, e que aprende a cuidar do corpo não mais como um objeto de mercado, submetido a prostituição da imagem, (como dizia Baudelaire), passa a ter consciência de seu templo sagrado. Um espaço único, que respeitaremos com nosso amor-próprio, e saberemos colocar limites que sejam verdadeiros à nossa alma instintiva.

Podemos ser vaidosas e cuidarmos do nosso templo, mas não mais com exigências externas, que nos fazem sucumbir aos padrões patriarcais. Não devemos mais carregar em nosso ventre todos preconceitos e autojulgamentos hostis em relação à nossa autoimagem – isto é profanar o nosso Templo, que é Sagrado.

A Verdade é que devemos aprender a honrar o próprio corpo como templo sagrado, e buscarmos a felicidade e satisfação em nós mesmas, para então saber dosar e dedicar um tempo saudável para a nossa própria beleza.

E dessa forma, conseguiremos uma abertura a quaisquer movimentos da vida e uma maior fluidez na dança com o próprio corpo.  Seremos as Deusas para nós mesmas!

Acredito que em nossas próprias curvas e em nossos próprios ossos, podemos ver a beleza de quem somos! Acredite! Supere com alegria a ponte que a conduz da face mãe para a face anciã, e lhe impulsiona atravessar para o outro lado – lhe fazendo dar as mãos à Mulher Sábia.

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